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JOSÉ BONIFÁCIO DE ANDRADA E SILVA nasceu em Santos (SP), em 13 de junhode 1763, e foi estadista, literato, cientista, poeta , político, ministro de Estado e primeiro - além de terceiro - Grão-Mestre do Grande Oriente.
Estudou Ciências Naturais em Coimbra, com estágios em universidades da França, Itália, Alemanha, Dinamarca e Suécia, tomando-se, em 1801, o primeiro catedrático de Metalurgia da Universidade de Coimbra. Pertencente a diversas entidades científicas da Europa, descreveu doze novos minerais e, em sua homenagem, foi dado o nome de "andradita" a uma variedade cálcio-ferrosa de granada. Homem de extraordi
nária cultura, falava e escrevia, correntemente, em francês, grego, latim, alemão e inglês.
Como soldado, participou da resistência portuguesa à invasão das tropas napoleônicas, comandando, no posto de tenente-coronel, o Corpo Acadêmico. Somente em 1819 regressaria ao país e ingressaria na política que lhe deu o destaque que a ciência não Ihe deu. Em 1821, foi vice-presidente da Junta Govemativa de S. Paulo e, a 24 de dezembro do mesmo ano, redigia o oficio dos paulistas a D Pedro (Ver cap
ítulo" Os Primeiros Momentos e a Luta pela Independência").
A partir daí, os acontecimentos precipitaram-se. A 18 de janeiro de 1822, nove dias depois do "Fico", José Bonifácio chegava ao Rio, para assumir o Ministério do Reino e de Estrangeiros. Quando da fundação do Grande Oriente, a 17 de julho, foi escolhido Grão-Mestre, por ser, no momento, o homem de maior projeção na política nacional. Fundou, também, o Apostolado, como se viu, dirigido, como o Grande
Oriente, para a luta pela independência.
Como ministro, ele logo conquistou, para a causa emancipadora, os representantes da Áustria e da Inglaterra; a 21 de janeiro de 1822, ordenou ao Chanceler-Mór (cargo correspondente ao de ministro da Justiça) que não publicasse lei alguma vinda de Portugal, sem primeiro submetê-la à sua aprovação e à do príncipe; nomeou um cônsul brasileiro para Londres, declarando, ao Gabinete inglês, que só tal fun
cionário poderia, então, liberar navios que se destinassem ao Brasil; enviou emissários às províncias do norte, a fim de congregá-las para a causa da independência; aliciou conspiradores em Pernambuco, no Maranhão, no Rio Grande do Norte, na Bahia e no Pará, para que se rebelassem, na hora exata, contra a metrópole lusitana; reorganizou o erário, por intermédio de seu irmão Martim, formou um novo Exército e contratou, para a obra de construção da Marinha de Guerra, o marujo e aventureiro lord Cochrane. Ess
es fatos são todos documentados, inclusive em uma importante edição do Senado Federal," A Obra Política de José Bonifácio", de 1973.
Discordava do grupo de Ledo, pois pregava uma independência com união brasílico-lusa, ao invés de rompimento definitivo. Na luta por maior prestígio político e influência sobre D.Pedro, desencadearam-se hostilidades entre os dois grupos, as quais culminariam com o processo de outubro de 1822 (conhecido como "Bonifácia"). A 17 de julho de 1823, ocorreu a sua queda, seguida de prisão e desterro. Só vo
ltaria ao país em 1829 e, após a abdicação de D Pedro I e a pedido deste, tomou-se tutor do futuro D. Pedro II. Ainda em 1831, participaria da reinstalação do Grande Oriente, voltando a ser o seu Grão-Mestre até 03 de dezembro de 1837, quando entrega o GrãoMestrado ao Visconde de Albuquerque. Em 1832 foi destituído da tutoria. processado, preso e absolvido, posteriormente.
Morreu a 6 de abril de 1838, em Niterói. |